A decadência do ser humano: Inteligência artificial, Bolsonarismo e caso YPÊ.
🦠 Entre a IA, Bolsonarismo e a atrofia do pensamento: quando a burrice humana chega ao seu limite.
Quando a magia se tornou nosso maior pesadelo;
Em novembro de 2022, o mundo conheceu a OpenIA, e se surpreendeu com o lançamento do ChatGPT. Algo que no começo, levantou diversas críticas e argumentos de privacidade, rapidamente caiu no gosto do público.
Em 2023 e 2024, a IA deixou apenas de ser um algoritmo de probabilidades de dados para se tornar algo muito maior, o nosso segundo cérebro no dia a dia, há quem até argumenta que se tornou produtivo graças a IA, utilizando para automatizar coisas, programar, responder e-mails.
A IA mudou nossa forma de escrita, de percepção, de estudos e até mesmo nossas opiniões. Quem nunca perguntou a IA: "Será que faço isso?" ou "Pode melhorar esse texto?"
Em 2026, temos estatísticas assustadoras. No Brasil, é comum ver o uso de IA em escola, no trabalho, em praticamente tudo. O problema em si, não é a ferramenta, hoje a IA é realmente útil e até auxiliou em projetos grandes como vacinas e curas de doenças, o problema é a crise de identidade cognitiva:
Chegamos a um momento de questionar o que é IA ou não é. Pegar uma foto de uma adolescente e a expor com a nudez, colocar pessoas famosas em situações embaraçosas, ou gerar um texto tão convivente, que é fácil espalhar uma informação falsa e gerar engajamento em cima disso.
Simplesmente, perdemos o filtro.
Quando não conseguimos mais distinguir o que é real do que é criado por uma inteligência artificial, nosso cérebro entra em uma "fadiga". Ficamos tão acostumados com a verdade mastigada e com o espetáculo visual da internet, que perdemos a capacidade básicas de pensar por conta própria.
O Bolsonarismo e caso YPÊ: A idiotice acima da biologia
Não é novidade o caso da YPÊ e o problema dos lotes contaminados. Se você não está por dentro: a ANVISA foi clara ao suspender lotes de detergentes e sabões por risco biológico (contaminação por bactérias).
Em um mundo funcional, a informação seria processada e o perigo evitado.

O exemplo mais visceral dessa "desinteligência" humana é o que estamos vendo com o caso dos produtos YPÊ neste mês de maio, o vácuo deixado pela nossa falta de pensamento crítico e agravado pela "verdade mastigada" das IAs e algoritmos, foi preenchido pelo fanatismo político.
Como a marca Ypê é historicamente associada ao apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e as pautas da direita, o que vimos foi um fenômeno bizarro de "solidariedade" e memes.
Em grupos de WhatsApp e fóruns como o Reddit, o alerta sanitário foi lido como "perseguição política". O resultado é o ápice da decadência:
Pessoas usando o produto proibido pela ANVISA para tomar banho, transformando um alerta sanitário em um "meme" político ou social.
... Sem, sem, sem palavras.
...
O "Check" do Perigo: Pessoas postando vídeos tomando banho com o produto e ostentando o estoque de lotes contaminados como se fossem medalhas de honra.
A Performance do Absurdo: O vídeo do indivíduo bebendo o detergente é a prova final de que o ser humano de 2026 perdeu o instinto de preservação.
Ele bebeu para provar que a "sua verdade" ignora a ciência, a ANVISA e o próprio estômago.
Isso me trás uma lembrança amarga do passado; Enquanto assistia o vídeo do sujeito tomando o detergente, minha mente voltou para 2020, no auge da pandemia de Covid-19 e lembro nitidamente, de um vizinho: O tipo de pessoa que tratou o isolamento social como uma piada de mal gosto.
Enquanto o mundo estava vivendo um pânico geral e muitos de nós tentávamos proteger quem amávamos dentro de casa, ele ostentava churrascos e festas de portões abertos.
O choque real veio após uma conversa no telefone, que jamais esqueci;
Escutei ele falando em bom e alto som, que iria pegar a parcela do auxílio emergencial, um dinheiro que era a salvação de famílias, para gastar com "churrasco e putas", como disse em suas próprias palavras.
Ali, o problema não era a falta de informação sobre o vírus. Ali, a tecnologia de IA ainda estava engatinhando, mas o cérebro, o humano, já demonstrava sinais de uma podridão ética profunda.
É o mesmo DNA comportamental que vemos agora em 2026: a ostentação da ignorância como símbolo de status.
Seja ignorando um vírus que parou o planeta ou bebendo um detergente contaminado para apoiar uma marca que representa seu político de estimação, o motor é o mesmo: o prazer sádico de dizer "eu faço o que eu quero, como eu quero e ninguém manda em mim" mesmo que isso agrida a lógica, a ciência ou a dignidade alheia.
A diferença é que, em 2020, esse vizinho era uma única voz no bairro, isolado em sua própria ignorância, em 2026 o cenário é outro.
Com a IA moldando nossas bolhas de informação e o engajamento ditando o que é "verdade", esses comportamentos são amplificados e validados por algoritmos em segundos. O absurdo virou método de pertencimento.
O risco real de 2026 não é uma rebelião das máquinas como muitos temem. O risco é a atrofia cognitiva voluntária. Estamos terceirizando nossa consciência para algoritmos e nossa sobrevivência para ideologias cegas.
O caso YPÊ é apenas o sintoma final de uma sociedade que tem acesso a todo o conhecimento do mundo na palma da mão, mas que perdeu a capacidade simples de ler um rótulo e entender o que a mantém viva.
Se não conseguirmos mais distinguir entre uma ferramenta de auxílio e uma muleta para a nossa própria decadência, talvez o próximo post que você ler não seja escrito por um humano.
E o pior: talvez você nem tenha mais o filtro necessário para se importar com isso.
É a porra do Brasil!
Para quem vim encher a porra do saco, envie a sua reclamação para nosso departamento.
"E o homem parou de criar para apenas REPETIR, pois a máquina exigia o sacrifício da ORIGINALIDADE em troca de um segundo de FAMA seguindo seu REBANHO."
— O Blog sagrado de Francisco, 40:01.
🤡 Legião Urbana - Que país é esse?
