Do bombril na antena ao torrent: Como a pirataria salvou a nossa cultura (e ficou chata)

🚫 Operação 404 - Este artigo foi apreendido para desarticulação de memórias clandestinas.

ATENÇÃO LEITOR(A): De acordo com o Artigo 184 do Código Penal, ler este artigo sem pagar os devidas taxas e se seu computador/celular não estiverem conectados em uma VPN nas Ilhas Cayman neste exato momento, a Polícia Federal vai bater na sua porta antes de você terminar o terceiro parágrafo.

A caveira cyborg dos anos 90 feita no ChatGPT me pegou muito na criatividade, precisamos contratar a equipe que dá nome as operações e fazem caveiras cyborg para nosso blog.

Acalme-se, os carros e helicópteros na porta da sua casa, é apenas um teste, agora se você chegou ao nível 5 de estrelas de procurado... tenho uma péssima notícia a você! Nesse momento, estou queimando todos meus SSDs e me encontro saindo do país! lol

Mas, voltando à era de ouro da pirataria e como simplesmente era tudo tão trivial e, ao mesmo tempo, mágico?

Foi esse sentimento que tive tive ao assistir ao vídeo do "Canal 90", sobre transmissões piratas na rádio e na TV, críticas e até prisões.

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Canal 90 - As TVs PIRATAS que o Governo Tentou APAGAR da História! https://www.youtube.com/watch?v=Y_hZxStcd6Y

Assistir ao vídeo do Nogy e refletir, me trouxe uma lembrança e uma nostalgia de quando era criança, tomar o café da manhã correndo e aproveitar enquanto "o sinal da emissora SBT era hackeado" para curtir alguns desenhos animados.

"Comitê Revolucionário Ultra-Jovem"

Entrava em seguida, a Disney Club (Ou Cruj para os mais íntimos);

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HD iTube - Abertura Disney Club (CRUJ) - 1997 https://www.youtube.com/watch?v=nCpfNwChiWU

A Era de ouro da gambiarra a lá brasileira;

Nos anos 80/90, a pirataria não era algo tão sofisticado como é atualmente ou operado por grupos grandes que quebravam DRM de jogos (Oi, Denuvo), realizavam sequestro de dados por técnica ransomware para ganhar dinheiro.

A pirataria antigamente era aquele vizinho que conectava o cabo coaxial no poste (ou na caixinha de TV a cabo do prédio [Quando eu criança, descobri que funcionava diversos canais da NET - Hoje, Claro. Bastava conectar o cabo coaxial na linha da NET diretamente na TV e mudar as configurações da TV de "AR" para "Cabo"], ou a galera que invadia sua casa pelos ares, com a era das "TVs piratas", usando transmissores caseiros, utilizando peças sucateadas ou até mesmo comuns naquela época, como videocassete, para exibir programas, críticas e até aberturas bizarras.

Cidades do interior e bairros periféricos que não recebiam o sinal das grandes televisões ou não tinham dinheiro para investir em uma parabólica, criavam suas próprias estações clandestinas com a criatividade que havia em sua volta.

A transmissão tinha de tudo; desde filmes VHS copiados da locadora do bairro a até mesmo gravações caseiras de desenhos e filmes. Essa época acompanhamos a descentralização da mídia e o streaming, muito antes de sequer existir a Netflix ou YouTube, numa época que TV a cabo era luxo para poucos.

O bombril e a MTV;

Para quem é da época dos anos 80/90, o título desse texto já faz sentido imediato, mas quem é mais novo provavelmente vai se questionar sobre o tal "Bombril na antena".

Esse truque, vindo de uma gambiarra clássica, para melhorar o sinal da TV, e quem sabe, pegar aquele sinal da clássica MTV que mesmo com muitos chuviscos, dava para acompanhar clipes de músicas, assistir Fudêncio ou South Park, acompanhar as tretas nos programas... e na madrugada, assistir ao "Ponto P" com a Penélope. :)

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Rômulo Azevedo - João Gordo x Dado Dolabella ao vivo mtv https://www.youtube.com/watch?v=9CRSqhN401o

P.S. O vídeo do João Gordo x Dado Dolabella é nosso atual Detena x Pablo Marçal?

O Camelô como o algoritmo de recomendação;

Antes da era do TikTok, YouTube e Netflix, os nossos algoritmos de recomendação eram o carinha da locadora ou o tiozinho camelô da feira de domingo.

Esse mestre da cultura vendia aquela promoção clássica de 3 DVDs por R$ 10,00, onde cada disco vinha com 3 ou 4 filmes compactados.

A imagem parecia um vídeo do YouTube em 240p e o áudio estourava nas cenas de ação, mas quem se importava? Era o que tínhamos para o fim de semana. Isso quando não era um compilado de pegadinhas do finado Silvio Santos.

Nem preciso citar que, nessa época, o PlayStation 2 vendido por nossas terras corria o risco sério de nunca ter visto um único DVD original na vida.

O ritual padrão era sagrado: comprar o console, sair da loja e já passar na lojinhaao lado para "realizar o desbloqueio" (geralmente o clone do lendário chip Matrix) e levar um God of War ou GTA San Andreas de brinde.

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Claudio Firmino - Propaganda contra pirataria I https://www.youtube.com/watch?v=wynKJj2llaw

Na propaganda contra a pirataria, encarnaram a série Impuros! haha 😂😂

Levar o jogo para casa era um evento de adrenalina que envolvia testar se o DVD estava funcionando:

Se o jogo travasse na icônica tela preta da Sony, começava o avanço científico brasileiro da gambiarra de colocar o videogame de ponta-cabeça, de lado, ou dar tapinhas na carcaça para alinhar o canhão de leitura.

E quando funcionava, você ainda dava de cara com o suco da criatividade brasileira: o Bomba Patch atualizado "100% atualizado, ruim de aturar", ou modificações bizarras onde o CJ vestia a camisa do seu time de coração e voava feito o Superman.

A pirataria não apenas distribuía a cultura; ela a customizava para a nossa realidade.

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A revolução do P2P: O nascimento da pirataria na Internet;

Para quem viveu a virada dos anos 90 para os anos 2000 e conheceu a clássica internet discada, baixar qualquer arquivo era um ritual de pura sorte e paciência.

Baixar uma única música em MP3 poderia levar horas; baixar um filme completo era um teste de ansiedade que levava dias.

Como a conexão era instável e dependia umbilicalmente da linha telefônica, o processo era um verdadeiro inferno.

A coisa ficava ainda mais emocionante na madrugada. Você passava a noite inteira em claro esperando o download de um arquivo chamado Linkin_Park_Faint.zip terminar, apenas para descobrir que o resultado final era uma roleta russa digital:

Ou era uma faixa totalmente diferente de uma banda de garagem, ou o áudio do clássico "gemidão" (sim, o gemidão faz vítimas desde os primórdios da internet), ou um vírus trojan sofisticado que corrompia o seu Windows e te forçava a passar o domingo inteiro formatando o computador do zero.

Mas aí os anos 2000 se consolidaram, a internet discada começou a dar espaço para a banda larga residencial e o mercado do barba negra mudou de endereço.

Saímos das calçadas da feira e fomos direto para as redes P2P (Peer-to-Peer). Foi a era de ouro do Napster, Kazaa, Soulseek e, claro, do eMule/Ares (O famoso burrinho).

Mesmo com o risco constante de um colapso digital iminente na sua máquina, havia um sentimento comunitário genuíno ali.

Ao entrar na rede para compartilhar arquivos, você simplesmente concordava em deixar as suas pastas abertas para o mundo.

Em troca, podia vasculhar o HD de um desconhecido no Japão para achar aquele anime raro japonês.

Havia uma troca real entre seres humanos conectados por cabos de rede. Se você entrasse no programa querendo baixar uma música nova da Pitty, com um pouco de curiosidade você acabava saindo com a coletânea completa dos Titãs ou do Rappa, apenas navegando pelos diretórios de uma pessoa que você nem sabia quem era, em qualquer canto do planeta.

A Gourmetização da pirataria: Como a Pirataria ficou Chata (e por que ela foi necessária);

Se você acha que a pirataria hoje ainda tem aquele espírito rebelde de antigamente, sinto informar:

Nós transformamos o contrabando digital em um emprego de TI corporativo sem remuneração.

O pirata moderno não quer apenas assistir a um filme; ele quer gerenciar uma infraestrutura complexa (Assim como eu faço, com o Jellyfin).

Hoje, para ser um "pirata", você não vai à feira e nem abre o eMule.

Você monta um homelab em casa, isola aplicações em containers Docker, configura proxies reversos sofisticados para proteger sua rede, e automatiza tudo com scripts e indexadores como Radarr e Sonarr.

Tudo isso para baixar 80TB de conteúdo em 4K HDR e áudio Dolby Atmos que você nunca vai ter tempo de assistir.

O prazer virou puramente sistêmico: ver o gráfico de banda da fibra ótica bater no talo e monitorar o dashboard do Proxmox.

Nós trocamos a emoção do risco pela burocracia dos trackers privados, onde se você esquecer de deixar o arquivo semeando (seed) por 72 horas, toma uma advertência formal do administrador do fórum, quase como uma demissão por justa causa.

A pirataria ficou fria, automatizada e chata. Digo por mim mesmo.

Essa mudança técnica fez com que muita gente hoje confundisse completamente o conceito do que é a pirataria.

A indústria e parte do público moderno tentam pintar o compartilhamento de arquivos puramente como ganância, roubo ou "vontade de levar vantagem".

Mas eles esquecem que a pirataria nunca foi um problema de caráter; sempre foi um problema de distribuição, conveniência e preço.

Quando os streamings surgiram com a promessa utópica de entregar todo o conteúdo e a música do mundo em um só lugar por um preço justo, a pirataria despencou.

O público queria pagar. Mas aí a ganância corporativa fragmentou o mercado: hoje você precisa assinar sete ou mais plataformas diferentes para ver três séries boas, transformando o streaming na antiga TV a cabo dos anos 90, porém que sem o técnico da companhia de TV a cabo para resolver seu problema de sinal.

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Por isso, doa a quem doer na indústria tradicional, precisamos constatar o óbvio: a pirataria foi o maior e mais eficiente programa de inclusão cultural e digital que o Brasil já teve.

Vamos deixar a hipocrisia de lado. Como um jovem de periferia nos anos 90 ou 2000 teria aprendido a mexer em softwares de design, editores de vídeo ou sistemas operacionais modernos se dependesse de licenças em dólar que custavam três salários mínimos?

Como o brasileiro teria desenvolvido um repertório musical e cinematográfico tão rico e plural se dependesse do preço abusivo de CDs, DVDs e fitas importadas?

O mercado pirata descentralizou o acesso à cultura muito antes do algoritmo existir.

Ele educou gerações, formou profissionais de tecnologia e democratizou a arte em um país historicamente desigual.

A pirataria analógica e do início da internet não era sobre quebrar leis por diversão; era sobre furar bolhas invisíveis para que o conhecimento e o entretenimento não fossem privilégios exclusivos de quem tinha conta bancária recheada.

Um aos nossos ancestrais piratas;

No fim das contas, a pirataria dos anos 80, 90 e início dos 2000 tinha algo que o ecossistema digital moderno jamais conseguirá replicar: alma e comunidade.

Ela unia a família na sala para assistir a um sinal trêmulo e cheio de chuviscos de um filme que recém tinha saído nos cinemas americanos, ou fazia amigos trocarem CDs riscados no pátio da escola.

Hoje, nós assistimos a tudo na mais perfeita resolução 4K HDR isolados em nossos mundos, olhando para a tela do celular, enquanto nossos servidores automatizados trabalham em segundo plano.

Fica aqui a nossa sincera homenagem àquele transmissor clandestino montado em uma laje qualquer do subúrbio em 1989, ao tiozinho do camelô com seu mostruário de plástico e aos desbravadores do eMule.

Vocês provavelmente violavam o Artigo 184 diariamente, mas foram os verdadeiros responsáveis por descentralizar a cultura e abrir as portas da tecnologia para quem a indústria oficial preferia ignorar.

O "Barba Negra" mudou de roupa, trocou o tapa-olho e o papagaio por uma linha de comando no terminal preto e morto, e o navio agora roda em um container isolado.

Ficou mais chato e burocrático? Com certeza. Mas a essência do brasileiro continua lá: a gente só quer o direito de acessar o mundo, nem que para isso a gente precise reescrever as regras do jogo.

E você, leitor(a)?

Qual foi a maior gambiarra analógica ou roleta russa digital que você já enfrentou para conseguir ver um filme, jogar ou ouvir uma música no passado? Já tomou susto com o gemidão no Kazaa ou teve que virar o PS2 de ponta-cabeça?

Deixe seu relato nos comentários, prometo que meu proxy reverso tá bem configurado e não vou repassar os logs de IP para a caveira ciborgue do CIBERLAB! 😉

☠️🦜 RPM - Rádio Pirata

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Abordar navios mercantes
Invadir, pilhar, tomar o que é nosso
Pirataria nas ondas do rádio
Havia alguma coisa errada com o rei

Preparar a nossa invasão
E fazer justiça com as próprias mãos
Dinamitar um paiol de bobagens
E navegar o mar da tranquilidade

Toquem o meu coração
Façam a revolução
Que está no ar
Nas ondas do rádio
No submundo repousa o repúdio
E deve despertar

Disputar em cada frequência
O espaço nosso nessa decadência
Canções de guerra
Quem sabe canções do mar
Canções de amor ao que vai vingar

Toquem o meu coração
Façam a revolução
Que está no ar
Nas ondas do rádio
No underground repousa o repúdio
E deve despertar!

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