O_labirinto_do_fauno-ptbr.avi
☠️ Um erro fatal, o computador precisa ser reiniciado.
Acho que esse será talvez, um dos textos mais pesados que irei escrever. Caso tenha problemas com gatilhos... Por favor, pare por aqui! Esse texto não é para você, mas é um desabafo sincero, um desabafo que nem às pessoas mais intimas sabem. Mas que chegou o momento de ser exposto, chegou o momento de tirar esse peso, chegou o momento de virar essa página.
Nós, seres humanos, somos muito bons em mostrar nosso lado alegre, curtindo, abraçado com amigos...
Mas somos também muito bons em esconder o lado obscuro, o lado da vulnerabilidade, o lado das falhas que estão presentes e algumas até visíveis e estampadas.
Me lembro inclusive um pouco da época que era divertido o hacking;
Quando era criança, adorava fuçar páginas web aleatórias, procurava por "dorks" de falhas SQL Injection e era o único momento que conseguia me sentir no poder realmente de algo, onde eu era único, onde brilhava de verdade, era muito divertido analisar toda a situação e pensar:
"Caralho! Eu consegui! Eu invadi esse sistema! Eu tenho acesso root!"
Talvez, o maior pesadelo de um administrador, mas a alegria sincera de uma criança reclusa e curiosa, mas, ao mesmo tempo, desde criança, nunca deixei alguém "penetrar" nas minhas falhas de segurança mentais.
Quer dizer, ou ao menos resistia, assim como eu fiz com diversos sites de pessoas que posso ter cruzado na rua algum dia, e eu não sei quem são elas e elas não sabem quem sou eu, estava escondido pelo anonimato de uma tela.
Tudo muda, quando esse anonimato sai da internet, não é mais apenas uma tela, um computador e um teclado/mouse, são suas, minhas e nossas ações.
E sem querer, mesmo vestindo uma máscara para se esconder da realidade que está passando naquele momento ou que simplesmente não está afim de comentar, uma hora acaba caindo e transparecendo, mesmo que sem querer, uma mínima falha, pode ser um "SQL Injection", porém na sua mente.
' or ''='Sempre usei esse comando de cabeça para quebrar logins. Mas, na vida real, o bypass acontecia em mim. Pessoas comuns acessavam minhas falhas e eu não tinha acesso root sobre as minhas próprias emoções.
Pessoas comuns, conseguiam acessar algumas das minhas falhas e eu não tinha algum controle sobre isso. Eu era o cara que era viciado em quebrar sistemas, mas meu firewall que deveria impedir o pentest mental, falhava muitas vezes, e isso realmente me assusta.
Desde criança, procuro blindar meus sistemas (e também minha cabeça), são tantas coisas, coisas que não deveriam ter acontecido, mas aconteceram.
Sempre fui bom de tentar esconder meus rastros, mas ao mesmo tempo, em um pedido de socorro, deixava uma vulnerabilidade para alguém achar e tentar explorar, e talvez assim, ter uma cabeça menos barulhenta.
Talvez conseguir seguir minha vida como uma criança comum, mas pelo contrário, muitas pessoas simplesmente não são curiosas como algumas de nós são, simplesmente vê a falha e ignora, não tentam realizar um "brute-force" para entender o conteúdo que está ali sendo processado.
Entendo que estou usando palavras técnicas, usadas no mundo da informática, mas se pararmos para pensar, é a mesma coisa, só muda o contexto.
De traumas da minha infância, como não ver minha mãe por minha fase de adolescente a até minha transição para adulto. Carrego traumas que moldaram quem sou. Desde a ausência da minha mãe na adolescência até algo que me corrói até hoje: o abuso que sofri do meu próprio avô materno.
Uma pessoa que deveria ter me protegido, mas usava as oportunidades ao seu favor e depois pediu um "desculpa" como se fosse algo reversível, que iria ficar tudo bem.
Acredito que muita da imaturidade que tenho, vem de consequências antigas.
Ok! Eu avisei em cima que iria ser pesado, não é um texto bonitinho para postar no LinkedIn ou uma mensagem de autoajuda para o Instagram.
Por sinal, odeio essas redes sociais, pessoas falsas mostrando uma realidade ou uma felicidade que tem em poucos momentos ou apenas no click das fotos. Por mais que tenha um Instagram com uns pingados de seguidores, bom, chegamos lá mais tarde, não é ainda o momento.
A questão é, que quando paramos para para refletir, é um peso muito grande, minha adolescência inteira tive raiva/ódio gratuito da minha mãe, a culpava por algo que ela não tinha nenhuma culpa, mas eu só queria fugir de onde morava, não me sentia bem, precisava "formatar" minha cabeça.
Morar com meu pai, não foi uma decisão fácil, talvez necessária, mas não fácil.
Não vou entrar no tema e abordar a fundo meu relacionamento com minha mãe e meu pai, pois, esse post não foi feito para abordar esses assuntos, mas posso dizer que, morar com meu pai, me fez crescer "nas ruas", aprendendo coisas ruins e convivendo com pessoas ruins.
Vale nem citar que praticamente a maioria dos "meus amigos de infância" atualmente se encontram mortos ou presos, ele mal me perguntava como foi meu dia, apenas falava "Filho, quando não estiver em casa, não abre a porta a ninguém, pode ser seu avô Adauto, mas você não irá abrir se não estiver aqui".
Por sinal, meu avô Adauto era um homem integro, tenho um carinho enorme por ele, tive a oportunidade de retribuir o carinho dele no seu final de vida, cuidando, dando banho, e conversando nas horas lúcidas. Na maioria de suas horas lúcidas, me perguntava se eu havia pago o boleto e apenas respondia que estava tudo em dia. Alzheimer é foda!
A grande questão disso tudo, é que a única educação base que tive na minha vida de adolescente para frente, foi dos meus amigos, meu pai não participou da minha vida, ele trabalhava muito, sempre muito esforçado, mas ele tinha os problemas dele e então, acabava que a nossa relação era distante.
Hoje, eu sinto um pouco a ponta de uma história do passado mal resolvida, que me afeta até nos dias atuais, e eu precisava desabafar e falar sobre isso, esse blog não é para ser só algo bonitinho, é para falar o que vim na minha cabeça, sei que não é um diário de contos de fadas, e sei da regra: "uma vez na internet, sempre na internet", mas precisava de um amigo apenas onde pudesse falar, esse blog está cumprindo seu papel em apenas tecer essas palavras sem algum julgamento.
Essa ponta de história mal contada, de algumas imaturidades e até mesmo inseguranças que foram criadas no tempo, eu era uma criança que precisava se virar para sobreviver, quando adolescente, andava com os caras mais velhos, quando adulto, fui solitário.
Eu não passei pelo ciclo de transicionar sobre gerações e amadurecer conforme a idade, eu simplesmente pulei diversas etapas da minha vida, algumas por sobreviver, outras por proteção.
Eu realmente levei muito tempo para perceber minhas imaturidades ou até mesmo, já sabia, mas não queria aceitar, a negação muitas vezes é um prato cheio para quem está com a cabeça cheia.
Talvez por medo de tentar e decepcionar, assim como tive muitas decepções na vida, o que me fez sempre testar às pessoas para saber se eu realmente posso confiar, e mesmo confiando, me decepcionei de diversas formas.
Não posso culpar essas pessoas por minhas decepções, pessoas erram, e eu fui errado de testar como "um teste de fidelidade", como se fosse um contrato de amizade/amoroso.
No final, assim como pessoas me desapontaram, eu desapontei muitas pessoas, talvez com intensidades diferentes, mas é algo que muitas vezes não é evitável, alias, talvez seja, mas só naquele momento que você faz merda ou perde tudo, está disposto a realmente viver e fazer da forma correta e coerente.
Sinto que, ultimamente, meu firewall, meu processador, meu NVMe... Simplesmente colapsaram! Não foi uma simples falha de sistema, foi uma catástrofe completa.
Algumas coisas recentes, trouxeram pensamentos que até então, eram invisíveis, e quando fui entender isso, cara, como dói!
Já teve vontade de gritar por redenção? Essa imaturidade, esse modo de sobrevivência que herdei, não ficou apenas numa parte isolada e trancada, mas de alguma forma, afetou as pessoas que mais tentaram me ajudar, e o pior: pessoas que eu realmente amei.
Eu desapontei quem um dia chamei de família, e desapontei quem eu sonhava que era meu futuro, onde um quarto de estar iria virar um quartinho de bebê fofo, com vários detalhes.
Para começar, sinceramente, nem sei por onde começar. Por muito tempo, deixei diversas questões em aberto, que deveriam ser simplesmente fechadas, mas por imaturidade e medo, nunca conseguia fechar, estava sempre pendurado, pendente ali.
Eu mantinha processos antigos ativos... Operacionalizando fantasmas de um passado que eu não deixava morrer enquanto tentava construir um futuro que eu realmente não sabia como sustentar. Posso dizer que fui covarde, ou até mesmo tinha medo daquele futuro.
Consegui um dia, desapontar quem me chamou de marido um dia e desapontar quem eu queria que fosse a mãe dos meus filhos. Eu fui o erro de sistema na vida de mulheres incríveis porque eu ainda estava tentando entender por que o meu próprio código foi escrito com tantas falhas lá atrás, na infância.
Eu estava tão ocupado tentando não ser "invadido" ou "vulnerável" pelo meu passado que acabei corrompendo o presente de quem só queria me dar um acesso a sua vida, de forma leve e simples.
Ao invés de simplesmente deixar esses processos terem seus fins, pois já tinham se esgotado, eu continuava processando, é foda perceber que, enquanto eu me preocupava em blindar e testar às pessoas, eu acabava me tornando o atacante e machucando quem eu realmente amo.
Sabe o peso dos planos, que acabamos desenhando juntos, os comentários, a visão para o futuro... "Arquiteta de interiores? Talvez... Contabilidade... Não, acho que não sou boa com números", mas era incrivelmente inteligente e com uma capacidade incrível para conceitos, design e criatividade.
Foi inclusive, a mulher que me apresentou "O Labirinto do Fauno" que quando ela me entregou o livro, enrolei para ler, queria apenas ter algo com ela comigo, quando ela levou o livro e sugeriu que assistíssemos o filme, de uma forma estranha, me identifiquei com esse filme, e de algum jeito, toda reflexão de vida hoje, me faz voltar nesse conto do Guillhermo Del Toro.
O Labirinto do Fauno, Ofélia a protagonista, precisa cumprir tarefas para provar que é uma princesa; eu estou cumprindo minha tarefa de realmente mostrar meus monstros e superar, da forma que eu nunca pensei em fazer algum dia: Expondo-os.
O desejo de ser pai, de construir um legado, entrando em ruínas, igual no filme "Clube da Luta", na cena final, onde o protagonista segura a mão de Marla Singer e diz: "Marla, está tudo bem" onde os prédios ruem à frente deles. A diferença é que, na minha versão, eu soltei a mão dela antes dos prédios caírem.
Eu entendi muito tarde, que não se constrói um sistema ou um relacionamento, em cima de algo que está em ruínas, preso ainda no seu passado. Sendo atacante por medo, onde, uma simples brincadeira ou ironia, poderia virar uma discussão e uma briga.
Hoje, é um dia novo, não há mais testes, não há mais penteastes, meu prédio interno ruiu, mas pela primeira vez, por mais doloroso que seja, são ruínas reais e não apenas sucumbo.
Talvez, parte das cinzas desse colapso, estou realmente livre para começar minha jornada de ser quem sou, sem máscaras, de mente tranquila, sendo apenas eu.
Feliz páscoa.
🌑 Radiohead - Exit Music (For A Film)
Acorde do seu sono
Do secar de suas lágrimas
Hoje nós fugiremos
Nós fugiremos
Arrume as suas coisas e se vista
Antes que o seu pai nos ouça
Antes que tudo
Vá pelos ares
Nos cante uma canção
Uma canção para nos aquecer
Há tanto frio
Tanto frio
Esperamos que você se engasgue
Que você se engasgue
Esperamos que você se engasgue
Que você se engasgue