Studio_Ghibli-O_abraço_que_o meu_silêncio_precisava.mp3

☀️ Qual a ligação dos filmes: "Meu Amigo Totoro", "A Viagem de Chihiro", "Serviços de Entregas da Kiki" e "Princesa Mononoke" em uma concepção de algo que estava em nossas frentes, mas nunca visível?

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Photo by W il / Unsplash

Antes de começarmos, pare tudo o que está fazendo. Apenas coloque seus fones, vá para um lugar silencioso e dê o play nesta experiência enquanto lê o texto. Sinta essa imersão. Deixe seus ouvidos e seus olhos te guiarem.

Sempre tive facilidade em ver coisas que são invisíveis para a maioria das pessoas: detalhes em roupas, a forma de arrumar o cabelo ou até mesmo as mudanças de humor, se é um dia bom ou um dia ruim. Observo a forma como as pessoas se expressam e seus costumes...

Pessoas são como programas de computador: todos têm seus "bugs", mas a diferença entre a máquina e o ser humano é que o ser humano é único. Podem até parecer versões do mesmo código, mas nunca o mesmo código. Ninguém é um "fork" de ninguém. Não existe "copiar e colar" na nossa essência; é muito além disso.

Quando redijo esse texto, me questiono: estamos aqui, apenas eu e você. Isso me lembra a série Mr. Robot, com o Elliot quebrando a quarta parede no primeiro episódio para falar com seu amigo imaginário, olha que coincidência estarmos aqui. Nesse momento, você é meu amigo imaginário.

Nesse momento, você é meu amigo imaginário. Eu nem sei seu nome, como você é ou como foi seu dia, mas, de alguma forma, estamos conectados.

É engraçado, mas me sinto realmente bem em desabafar com você, compartilhar minha vida, pensamentos e ideias. Mais uma vez, estamos aqui falando dessa cabeça barulhenta que nunca está em paz.

Brigas, términos, fantasmas, passados, traumas. E você está sempre aí, atencioso(a). Agradeço por esse carinho, por me dar um momento da sua vida e a sua atenção.

Finalmente, descobri que esse silêncio não é apenas um vazio. Ele é o espaço onde as coisas que preenchemos um dia finalmente se revelam; coisas que sempre estiveram na nossa frente, mas que só agora ganham contorno, igual um desenho a canetinha, primeiro fazemos o esboço, depois o contorno.

Voltando à nossa conversa, a ligação entre os filmes do Studio Ghibli, "Meu Amigo Totoro", "A Viagem de Chihiro", "Serviços de Entregas da Kiki" e "Princesa Mononoke", não está apenas nos traços feitos à mão, com detalhes incríveis, está muito além.

É a conexão real entre o imaginário e o real; o sentimento que sempre esteve aqui, porém obscuro, soterrado por camadas de maturidade e autodefesa que precisavam ser escavadas.

Bom... Nesse ponto, acredito que já passamos daquela fase inicial da timidez e posso apenas te chamar de amigo(a).

☂️ Sabe, amigo(a)... vamos falar da nossa conexão através do abraço do "Totoro". É assim que você me faz sentir enquanto lê atenciosamente cada linha escrita. O Totoro pode ser apenas uma animação, mas isso que temos neste momento é real. E é lindo

Caso não tenha ainda assistido, o filme é uma obra incrível, que toca o lugar mais profundo do seu coração! Não é apenas mais uma animação de contos de fada da Disney.

No filme, duas irmãs, Satsuki e Mei, mudam-se para o campo para ficarem perto do hospital onde a mãe está internada. Enquanto a incerteza sobre a saúde da mãe paira no ar, elas descobrem que a floresta ao redor é feita de espíritos antigos.

O maior deles é Totoro, uma criatura gigante, peluda e silenciosa.

Mas o que está na nossa frente e não enxergamos?

Totoro não tem um grande vilão ou uma grande guerra. Seu grande "conflito" é a vida real: o medo da perda e a solidão da infância. A ligação invisível aqui é como a nossa conexão: Totoro não "resolve" a doença da mãe, ele não faz mágica.

O que ele faz é mais sutil: ele oferece companhia na chuva. Ele grita para fazer as sementes crescerem. Ele empresta o "Gato Ônibus" quando o peso fica insuportável.

Se o Totoro é aquele abraço quente em um dia de frio, a Chihiro é a luta para não se perder no barulho do mundo.

🐉 A Viagem de Chihiro já muda completamente. É o contraste do Totoro; é o momento em que você se perde, a cabeça fica barulhenta, a overdose de informação que, quanto mais você processa, mais tudo fica confuso.

Esse filme é interessante porque funciona como uma cebola: são diversas camadas. A Chihiro entra em um sistema autoritário, onde deve apenas obedecer.

Ela esquece o próprio nome, e o sistema diz que isso não importa. A vilã, Yubaba, não rouba apenas a liberdade; rouba a identidade. Transforma pessoas em servos, em "minions".

Quantas vezes entramos em um relacionamento e viramos um "No-Face", apenas para tentar fazer dar certo ou nos adaptarmos a uma realidade que não é a nossa?

Perdemos nosso tempero, nosso "sabor personalidade 🫰🏻", tornando-nos um sabor genérico. (Pegou o trocadilho, né?)

A ligação invisível aqui é a resistência: a luta de Chihiro para lembrar seu nome em um mundo que quer que ela seja apenas mais um processo executando ordens. É a busca pela identidade que eu, você e todos que já se sentiram perdidos enfrentamos todos os santos dias.

No filme, a solução para a paz de espírito era, simplesmente, uma garotinha pura dar um banho completo naquela "alma suja e podre" da qual todos fugiam e assim, mostrar a fraqueza de todos os servos, que quem dominava era a ganância, luxo, mentiras.

Mas sabe, amigo(a)... Quando recuperamos nosso nome, limpamos a alma suja e podre, mas ainda falta o cansaço daquela vassoura que parou de voar.

🧙🏻Se a Chihiro é sobre recuperar a identidade, a Kiki é sobre a fragilidade de mantê-la. Ela é uma bruxinha que sai de casa cheia de planos, pronta para dominar o mundo com seu talento e Jiji, seu gato.

Mas o que ninguém te conta é que a rotina, a comparação com os outros e a cobrança interna podem dar um burnout e simplesmente apagar a nossa magia, como uma lâmpada.

A Kiki perde a capacidade de voar e de entender seu gato. Não porque alguém a amaldiçoou, mas porque ela se esgotou tentando ser útil e perfeita o tempo todo.

A ligação invisível aqui é que a nossa magia, de escrever, de entender e de amar, não é um processo infinito.

Chegamos ao ponto mais profundo dessa camada, amigo(a).

🐗 Se o Totoro é o abraço, a Chihiro é a identidade e a Kiki é a queda, a Mononoke é a cicatriz.

No filme, o protagonista Ashitaka carrega uma marca de ódio no braço que o torna forte, mas que o mata aos poucos. É uma infecção que se alimenta da raiva.

Quantas vezes a gente não se sentiu assim? As brigas, as decepções e os traumas do passado criam uma "maldição" dentro de nossos corações.

Ficamos mais fortes, mais defensivos, criamos firewalls invisíveis... mas por dentro, esse ódio e essa mágoa estão nos consumindo.

A gente para de ver as pessoas como elas são e passa a ver apenas ameaças.

A ligação invisível aqui é a cura pela aceitação. Ashitaka não tenta simplesmente apagar a marca; ele tenta entender a origem dela. Ele busca ver o mundo "com olhos não nublados pelo ódio", algo rotineiro na vida de muitas pessoas.

Isso me faz pensar e refletir, o término, os fantasmas, as falhas... tudo isso deixou marcas. Marcas que irei carregar sempre comigo.

Mas o segredo, que estava na minha frente e eu não via, é que não preciso apagar o passado para seguir em frente. Preciso apenas garantir que o ódio não se torne o meu guia, mas sim, o aprendizado, os momentos bons, passado que aquele, me fez feliz em algum momento.

No fim das contas, amigo(a), a vida não é um sistema perfeito e sem bugs. É uma animação feita à mão, cheia de rascunhos, erros de traço e cores que às vezes borram e que se rasgam, mas é isso que a torna real.

Isso nos faz refletir que, muitas vezes, o que precisamos é apenas do silêncio, de recuperar sua identidade e colocar a cabeça no lugar e entender suas origens. Parar de tentar conquistar o mundo e ser único, não uma cópia de uma cópia de uma cópia.

Amigo(a), obrigado por segurar o guarda-chuva comigo nessa aventura de pensamentos, desabafos e teorias. Agradeço por simplesmente estar aqui, apenas me escutar (ou ler nesse caso), o silêncio não é mais tão assustador como um dia foi, finalmente encontrei minha identidade.

🧠 Pixies - Where Is My Mind?

Oh, pare

Com seus pés no ar e sua cabeça no chão
Experimente este truque e gire, (sim) sim
Sua cabeça vai entrar em colapso mas não tem nada dentro
E você vai se perguntar
"Cadê minha mente?"

Lá longe na água
Veja-a nadando

Eu estava nadando no Caribe
Os animais estavam escondidos atrás das pedras
Exceto os peixinhos

Mas me disseram que é aqui onde se fala como o Pernalonga
"Cadê minha mente?"

Lá longe na água
Veja-a nadando

Com seus pés no ar e sua cabeça no chão
Experimente este truque e gire, sim
Sua cabeça vai entrar em colapso mas não tem nada dentro
E você vai se perguntar

"Cadê minha mente?"

Lá longe na água
Veja-a nadando

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