// Troquei meu modem da operadora pela minha própria ONU: O que aprendi? Você deve fazer o mesmo?
Cansado do firmware travado da TIM e de não conseguir usar meu OPNsense em modo bridge, aposentei o modem da operadora e coloquei minha própria ONU na fibra. Entenda como funciona a clonagem GPON, VLAN e se vale a pena você fazer o mesmo.
Recentemente, tomei uma decisão que muitos consideram loucura, não sabem que é possível ou pura dor de cabeça desnecessária: tirei o modem padrão fornecido pela Tim e coloquei minha própria ONU na fibra óptica.
O equipamento original da minha instalação era o Sagemcom F@st 5670v2, montado pela Sagemcom e distribuído no Brasil pela Multilaser com um firmware modificado para a TIM.

Mas antes de mergulharmos nos comandos, nos hexadecimais e nas configurações da nova ONU, precisamos voltar um pouco no tempo para entender o que me empurrou até esse extremo.
O golpe da de parceiros autorizados e revendedores
Há três anos, quando me mudei para a residência onde moro atualmente, solicitei a transferência de endereço da minha antiga operadora da Oi Fibra (Atualmente Nio). O que deveria ser um processo simples e rotineiro virou uma novela: o técnico nunca aparecia para instalar.
E não era culpa da infraestrutura da Oi, mas sim de funcionários terceirizados agindo de má-fé, remarcando a ordem de serviço infinitamente para tentar me empurrar planos de outro provedor, pois ganhavam comissão em cima da venda.
Precisando de internet para trabalhar e exausto do descaso, acabei aceitando uma oferta da TIM Fibra de um consultor externo: entregava uma velocidade ligeiramente melhor que a Oi pelo mesmo valor.
Como eu já sabia que tanto a Oi quanto a TIM utilizam a mesma rede neutra da V.tal, questionei na contratação se eu conseguiria abrir portas e usar meu equipamento em modo bridge.
A resposta do suporte comercial foi o clássico: "Sim, claro, sem problemas!".
A instalação foi feita e recebi o Sagemcom F@st 5670v2. O hardware em si é parrudo e muito competente para o usuário doméstico padrão. Wi-Fi 6, Porta de 2,5G para computadores e dispositivos modernos, porta USB para compartilhar mídia na rede.. O problema é a alma dele: o firmware da TIM.
Adivinha só?
Se eu quisesse abrir uma porta de rede, até conseguia através dos menus mal traduzidos e engessados do modem. Mas colocar o equipamento em modo Bridge puro para deixar todo o roteamento, firewall, VPNs e regras a cargo do meu OPNsense?
Simplesmente impossível.
O firmware da operadora capou qualquer chance de bridge transparente. Abri chamados na TIM, escalei para o consumidor.gov.br e abri reclamação na Anatel.
A postura da operadora foi o resumo perfeito do telecom brasileiro: Um belo e querido: FODA-SE!
"Ou você abre as portas pelo nosso modem ou procura outro provedor e paga a multa de fidelidade. Não nos importamos com o seu firewall ou seus problemas."

Para quem é um usuário hardcore, que trabalha com redes, hospeda arquivos, ou baixa em trackers, sabe como é infernal utilizar o modem da operadora: Internet lenta ou caindo, Wi-Fi interferindo a conexão de roteadores externos, redes de convidados sem senha que sabe-se lá quem usa.
Sem querer veio a solução temporária
Por que não reutilizar o modem que a Oi nunca buscou?
Pense comigo, é um modem já homologado para usar na rede neutra da V.Tal, é de uma marca mundialmente conhecida (Huawei), e estava guardado em uma caixa sem uso algum.
Obviamente, não é tão simples como apenas só plugar o conector verde da fibra óptica e sair navegando.
A fibra óptica (GPON) não funciona igual patch cord comum. A central da operadora (a OLT) precisa autenticar exatamente quem é você, qual o seu RG e qual o seu perfil de velocidade.
Essa identificação é feita através do Serial Number (PON ID / GPON SN).
O serial é como se fosse o RG ou o CPF do modem na rede. Em tese, cada equipamento nasce com o seu serial gravado em hardware de fábrica justamente para evitar clonagem e fraudes.
Pesquisando no Google, alguma alma que conseguiu desbloquear esse modem ou até mesmo, descobriu algum exploit, descobri o grupo: "Desbloqueio Huawei", que começou em uma conversa em um fórum do Adrenaline e acabou unificando em grupo do Telegram.
O projeto foi realizado por uma comunidade de geeks que, através de engenharia reversa em softwares oficiais de provisionamento da Huawei para provedores (ISPs), desenvolveu uma ferramenta capaz de injetar perfis customizados e desbloquear o modem, que me permitia reescrever o Serial Number (PON ID) do HG8245Q2.

Isso significava que eu poderia fazer o modem da Oi fingir ser o modem da TIM.
Fui até a etiqueta traseira do Sagemcom da TIM e anotei as informações vitais:
Modelo: Sagemcom F@st 5670v2 Tim Live
CPES/N: N0000000000000
PON ID: SMBS0000000
MAC: 123456789012
Ok, mas por onde começar?
Segundo a maioria dos tutoriais rápidos do YouTube e relatos em fóruns, a mistura de bolo era: bastava alterar o PON ID no Huawei, colocar a VLAN correta e pronto: a ONT alcançaria o status O5 (Operation) e estaria livre.
Na realidade é tão simples assim?
A resposta curta é: não, não é.
Quem já lidou com redes GPON sabe que a OLT do provedor não valida apenas se as letrinhas e números do serial batem. Podem até validar e autenticar em provedores mal configurados. Mas não na Tim. Lembre-se dessa informação, vamos falar mais a frente dela.
Mas no caso da Huawei HG8245Q2, por ser homologado na Oi, bastou trocar o serial, e subiu de primeira!
Pois olha que engraçado, um modem Huawei em bridge, com serial Sagemcom e identificadores da Huawei, mas ainda assim, autenticou e pude colocar meu OPNsense em bridge e utilizei por cerca de 2 anos dessa forma, sem problemas.
Porém sempre me questionei, como não havia uma autenticação das informações do modem, por exemplo, a Sagemcom entrega o identificador SMBS e a Huawei entrega o identificador HWTC, que respondem ao protocolo OMCI.
No meu caso estava entregando o S/N: SMBS00000012 e o identificador HWTC, uma verdadeira salada de frutas, mas ainda assim, por ser um modem homologado, a V.Tal autorizou na sua infraestrutura e me autorizou a usar por essa jornada de dois anos.
Depois de algum tempo, comecei a investir no meu HomeLab, montar uma estrutura enorme, diversos containers docker/podman, monitoramentos, gerenciamento avançados e até mesmo a compra de uma antena Ubiquiti com o firmware OpenWRT para melhor estabilidade e gerenciamento.
Conforme fui trabalhando e elaborando meu homelab, reparei um problema;
Meu modem em carga ou em downloads de torrent, simplesmente aumentava muito a latência e derrubava diversas conexões ativas ou começava a quebrar pacotes, gerando erros no OPNsense.
E não é para mais, meu link de 1 Gbps entregava todo seu potencial, mas o guerreiro Huawei HG8245Q2 de 2017 por mais que na teoria, ele suporte essa largura, o seu fraco processador não aguentava processar tantos pacotes e acabava travando ou até mesmo caindo.
Agora entramos no dia que resolvi, que já estava na hora de dar um descanso ao meu guerreiro da Huawei e entrar com um ONU novinho, que iria dar conta do recado, e pesquisando a fundo, encontrei o V.SOL V2802RH (Sim, a V.SOL usa o caranguejo da desgraça da Realtek, mas fazer o que), um compacto que traz o poder de processamento que eu precisava e de quebra, ainda iria realizar um upgrade para 2,5G, além de encontrar por R$ 100 novo (essa ONU custa quase R$ 200).
A ONU chegou, mas esqueci de um detalhe; meu conector da TIM é SC/APC (verde), enquanto minha ONU utiliza conectores SC/UPC (azul) e existe uma grande diferença entre eles;
Por mais que ambos sejam conectores do tipo SC e se encaixem perfeitamente, eles possuem geometrias de contato diferentes: o APC tem um corte angulado de 8 graus, enquanto o UPC é reto. Forçar essa conexão gera uma alta atenuação do sinal óptico e risco de dano físico ao ferrolho.

Então, lá vamos nós comprar um cordão óptico SC/APC para SC/UPC e um acoplador óptico verde, a ligação é feita da forma:
APC+APC e na outra ponta UPC para o V.Sol, fazendo com que o ONU comunique-se corretamente.

ONU em mãos, cordão óptico SC/APC para SC/UPC e acoplador óptico verde em mãos, é agora?
Pensei comigo: Irei copiar o S/N do modem oficial da Tim e está tudo certo, o que poderia dar errado?
Simplesmente tudo!
Sinceramente achei incrível como a V.SOL tem recursos que permitem configurar a ONU para trabalhar de forma nativa com a OLT da operadora, tanto via página WEB como também via Telnet.
O firmware que veio na minha caixa era a 1.1.7 (S693) e eu recomendo fortemente atualizar para a firmware atual 1.2.0 (S1114), pois a 1.1.7 é conhecida por alguns bugs.
Essa firmware é unificada para os modelos: V2801RD, V2801RE, V2802RH, V2801Q, V2802PH, V2801P
(Gostaria de deixar meus sinceros agradecimentos a equipe do TripleOxygen por disponibilizar a firmware, visto que a V.SOL não publica diretamente ao consumidor, https://www.tripleoxygen.net/wiki/ont/vsol/v2802rh)
ONU na última versão de firmware (até o momento desse post), agora podemos começar a brincadeira;
Troquei o S/N da ONU via Telnet:
flash set GPON_SN SMBS00000000
restartTomei um belo O3 na cara, que resumidamente é: Serial Number State), a ONU estava comunicando com a OLT da Tim normalmente, e reconheceu o S/N, porém, não conseguiu realizar a autenticação e assim, não conseguiu conectar. Eu sabia que havia mais coisas para configurar, mas a primeira coisa é fechar a conexão com a Tim, e não consegui.
Revirei a internet, Fórum Adrenaline, TripleOxygen, diversos flashes achando que era um bug de firmware, assisti diversos tutoriais, nada!
Até que me lembrei de um detalhe, e que pedi para você guardar: Lembra que estávamos falando sobre a autenticação do GPON e não é tão simples assim como apenas inserir um serial? Pois é!
O serial estava válido, mas a OLT não valida apenas essa informação, ela também valida se o hardware utilizado é homologado, caso não, você fica preso na parte O3 e não tem o que fazer.
O que me impressiona, é que nenhum tutorial citou o OMCI, que é basicamente o protocolo que informa a OLT os dados da ONU/modem e se é homologado ou não, algumas operadoras não checam, mas por padrão, para manter sua configuração totalmente stock, sempre é importante mandar esses dados, que era justamente o que me causou todo o transtorno de não conseguir me conectar.
Lembra do meu modem Huawei HG8245Q2? Ele autenticou justamente, por que os dados OMCI dele eram homologados na V.Tal, que mesmo virando uma salada de frutas, aceitou os dados e autenticou minha conexão, mas no caso da V.Sol, não era homologado e não iria aceitar de forma alguma.
A proposta desse post, não é um tutorial em si, mas por mais simples que pareça, passei um dia inteiro mexendo nisso, até descobrir qual era de fato o problema, para você não perder tanto seu tempo, irei te ajudar com as configurações usadas 😄;
- Configurar IP Local da ONU
Por padrão, a ONU vem com a faixa de IP 192.168.1.x (sendo 192.168.1.1 o endereço de acesso dela).
Como a maioria dos roteadores pessoais também usa essa mesma faixa por padrão, pode gerar conflito de IP na sua rede.
Para evitar esse problema, recomendo alterar a sub-rede da ONU para a faixa 192.168.100.x, definindo o IP da ONU como 192.168.100.1.
flash set IP_ADDR 192.168.100.1
flash set NETMASK 255.255.255.0
restart- Clonagem do Modem Sagemcom F@st 5670V2 (TIM)
Para que a central da TIM (OLT) aceite a sua ONU própria no lugar do modem original, precisamos "enganar" a operadora clonando a identidade completa do Sagemcom F@st 5670V2 via Telnet;
flash set GPON_SN 534D425300000000
flash set GPON_PLOAM_PASSWD 534D425300
flash set PON_VENDOR_ID SMBS
flash set GPON_ONU_MODEL "F@st 5670V2"
flash set HW_PRODUCT_CLASS "F@st 5670V2"
flash set HW_HWVER 2.00
cfgmib set OMCI_SW_VER1 SGFA71000109
cfgmib set OMCI_SW_VER2 SGFA71000109
cfgmib set OMCI_OLT_MODE 3
cfgmib set OMCI_TM_OPT 2Atenção: A maioria das informações citadas acima, você encontra no "status" do modem oficial.
Quando você conecta a fibra na ONU, a central da TIM (OLT) faz diversas perguntas esperando a resposta completa com o seu aparelho usando o protocolo OMCI (ONT Management and Control Interface).
Se a ONU responder apenas o número de série certo, mas disser que é de outra marca ou versão, a TIM bloqueia a conexão.
- Bloco 1: Autenticação Principal (Quem é você?)
flash set GPON_SN 534D425300000000O que é: Define o Número de Série GPON de 16 dígitos em formato 100% Hexadecimal.
Como montar: Pegue o S/N da etiqueta do seu modem (ex: SMBS00000000). Converta as 4 primeiras letras do fabricante de ASCII (texto) para HEX (SMBS vira 534D4253) e junte com os 8 últimos dígitos originais da etiqueta (00000000), formando 534D425300000000.

flash set GPON_PLOAM_PASSWD 534D425300O que é: É a senha de autenticação da fibra (SLID / PLOAM Password).
Na TIM, ela valida que aquele cabo pertence ao seu contrato ou equipamento. (Nota: dependendo da região e da OLT da TIM, o SLID pode ser os 10 primeiros caracteres do serial, o número do circuito ou ficar em branco).
- Bloco 2: Identidade de Hardware e Fabricante (Qual é o seu equipamento?)
flash set PON_VENDOR_ID SMBSInforma à central que o fabricante do equipamento é a Sagemcom Broadband SAS (cujo código oficial de 4 letras no padrão GPON é SMBS).
flash set GPON_ONU_MODEL "F@st 5670V2"
flash set HW_PRODUCT_CLASS "F@st 5670V2"Mudam o nome do modelo de equipamento e a classe do produto reportados pela ONU. Assim, no sistema do técnico da TIM, vai aparecer que você está usando um F@st 5670V2 original.
flash set HW_HWVER 2.00Clona a Versão de Hardware exata do Sagemcom F@st 5670V2 (2.00). Se a versão de hardware não bater com o modelo esperado pela central, a OLT pode recusar o provisionamento da VLAN de internet.
- Bloco 3: Identidade de Firmware e Ajustes de Tráfego (MIB / OMCI)
Os comandos cfgmib alteram a tabela MIB (Management Information Base), que é onde a ONU conversa com a central sobre software e regras de tráfego:
cfgmib set OMCI_SW_VER1 SGFA71000109
cfgmib set OMCI_SW_VER2 SGFA71000109Por que são dois? Todo equipamento GPON possui duas partições de sistema (Partição Ativa e Partição de Backup). Esses comandos dizem para a TIM que ambas as partições estão rodando o firmware oficial da Sagemcom (SGFA71000109).
Por que isso é vital: Se você não clonar a versão de software, a central da TIM vai achar que seu modem está desatualizado e vai tentar enviar uma atualização de firmware da Sagemcom para dentro da sua ONU, o que trava a autenticação ou corrompe a conexão.
cfgmib set OMCI_OLT_MODE 3Define o Modo de Compatibilidade da OLT.
O valor 3 ajusta o protocolo OMCI da ONU para conversar especificamente no dialeto das OLTs usadas pela TIM (geralmente Nokia/Alcatel-Lucent ou Huawei), permitindo que a VLAN 210 (ou a VLAN da sua região) seja criada automaticamente.
cfgmib set OMCI_TM_OPT 2Define a opção de Gerenciamento de Tráfego (Traffic Management Option) para o modo 2 (controle por T-CONT / GEM Port e filas de prioridade).
Na prática: Sem esse comando, a sua ONU até autentica no estado O5, mas o seu Upload fica travado em velocidades ridículas (como 1 Mbps ou 5 Mbps) ou a navegação fica engasgando, pois a ONU não sabe como gerenciar a fila de envio de pacotes exigida pela OLT da TIM.
- Bloco 4: Otimizações Ocultas de Desempenho e Segurança
Aqui entra o maior diferencial entre quem apenas segue um tutorial superficial e quem realmente entende o que está rodando no hardware.
Por padrão, a V.SOL vem com diversos serviços de camada 3, 4 e 7 ativados que não fazem o menor sentido em uma ONU que vai operar como Bridge pura, e que na verdade sabotam sua conexão:
cfgmib set DOS_STATUS 0
cfgmib set IPV6_FIREWALL_PCP_ENABLE 0
cfgmib set CWMP_INFORM 0
cfgmib set CWMP_FLAG 0
cfgmib set UPNP_STATE 0
cfgmib set NAT_ALG_FTP 0
cfgmib set NAT_ALG_SIP 0
cfgmib set NAT_ALG_IPSEC_V6 0
flash set VALIDATE_CODE_SWITCH 0
cfgmib save
restartPor que cada um desses comandos é vital?
DOS_STATUS 0 (Desativa Anti-DoS): Aqui mora o grande vilão oculto! A V.SOL possui um firewall Anti-DoS interno extremamente agressivo com um limitador de míseros 100 pacotes por segundo (pps). Quando você abre um download torrent, joga online ou roda múltiplos containers no Homelab, esse limitador dispara achando que sua própria rede está sofrendo um ataque e simplesmente congela ou derruba a conexão! Desativá-lo é obrigatório para atingir estabilidade em 1 Gbps / 2.5 Gbps.
IPV6_FIREWALL_PCP_ENABLE 0 (Passagem IPv6 Pura): Desativa o firewall interno de IPv6 da ONU, garantindo trânsito totalmente livre para pacotes ICMPv6 e Neighbor Discovery (ND). Sem isso, seu roteador próprio pode perder o Prefix Delegation (/56 ou /64) e quebrar a conectividade IPv6 dos seus dispositivos.
CWMP_INFORM 0 e CWMP_FLAG 0 (Adeus TR-069): Desliga o cliente de gerenciamento remoto da operadora dentro da ONU, impedindo que a TIM envie scripts que possam sobrescrever suas configurações.
UPNP_STATE 0 e ALGs desativados: Como a ONU vai atuar em Bridge, qualquer tentativa dela de inspecionar pacotes SIP, FTP ou túneis VPN (como WireGuard e IPsec) só gera consumo inútil de CPU e problemas de conexão.
VALIDATE_CODE_SWITCH 0: Remove o chato Captcha numérico da tela de login da interface Web da V.SOL, poupando paciência a cada acesso administrativo.
- Bloco 5: Gravando na Flash e Validando o Estado O5
Após aplicar todos os parâmetros de hardware, fabricante, OMCI e otimizações, a ONU reinicia com os comandos `cfgmib save` e `restart`. Assim que o LED PON no painel frontal parar de piscar e ficar verde fixo, podemos verificar o status GPON via Telnet:
pon get ont-stateSe a OLT aceitou os parâmetros, a tela retornará com a melhor visão do dia: State: O5 (Operation). Na interface Web em Status > PON Status, confirme também o nível de recepção óptica (Rx Power). No meu caso, ficou em -20.36 dBm, uma potência excelente dentro da faixa ideal de operação (-15 a -24 dBm).
A virada de chave: Configuração Manual do Modo Bridge e da VLAN 210
Muita gente acha que colocar a ONU no estado O5 já faz a internet funcionar como mágica na porta Ethernet.
Não faz! A V.SOL autentica na fibra, mas você ainda precisa criar e vincular manualmente a interface de rede WAN em modo Bridge.
Aqui onde moro, a internet da TIM na rede neutra opera sob a VLAN 210 em Belo Horizonte, MG (em outras regiões ou provedores parceiros da V.tal, pode ser a VLAN 3833, 14... Pelo que li em outros lugares, conforme a região).
Para configurar o Bridge manual, conforme muito bem documentado no excelente tutorial do Vinicius Paes (https://viniciuspaes.com/redes/tutorial-substituir-modem-fibra-ftth-modem-vsol-v2802rh/), acesse a interface Web da V.SOL em Setup > WAN > WAN:
- Default Route Selection: Specified
- Channel Mode: Bridge
- Bridge Mode: IP_BRIDGED
- VLAN: Enable
- VLAN ID: 210 (ou a VLAN correspondente da sua região)
- 802.1p Priority (VLAN CoS): 0
- Application Mode: INTERNET
- LAN Binding: Marque exclusivamente a porta LAN 2 (Porta de 2.5 Gbps)!
A dica aqui é: Ao definir a VLAN 210 diretamente na WAN da V.SOL e amarrá-la à porta LAN 2, a ONU faz o desencapsulamento (untag) do tráfego no próprio chip.
Isso significa que o tráfego da TIM sai na porta de 2.5 Gbps totalmente limpo e sem tag, permitindo que a porta WAN física do seu roteador/firewall receba o DHCP de forma nativa e sem precisar de sub-interfaces VLAN virtuais!
O Resultado no Homelab: Valeu a pena?
Depois dos testes com a V.SOL V2802RH em produção pesada, a transformação foi da água para o vinho:
- Zero quedas ou congelamentos em torrents: Com a desativação do Anti-DoS (DOS_STATUS 0), posso saturar o link de 1 Gbps com centenas de conexões simultâneas de torrents e múltiplos containers que a latência permanece cravada e nenhum pacote é descartado.
- Latência realmente baixa, enquanto antes em média era ~30/40ms agora bate ~2/3 ms, tanto em sites de teste de velocidade como em jogos online.
- IPv6 nativo e sem bloqueios: Com o firewall IPv6 da ONU desligado, os pacotes ICMPv6 e Neighbor Discovery chegam sem interferência ao OPNsense, garantindo conectividade nota 10/10 no teste do Test-IPv6.com e 100% no NIC.BR.
- Eficiência: A V.SOL consome cerca de 3W a 4W de energia e sua carcaça mal fica morna (em torno de 28 °C no módulo óptico).
- Pronto para conexões de 2.5G: A porta de 2.5 Gbps ligada na WAN elimina qualquer gargalo de overhead em planos de 1 Giga e já deixa a casa pronta caso a TIM lance velocidades maiores.
Você quem chegou até aqui, deve fazer o mesmo?
Apesar do resultado ser espetacular para quem gosta de infraestrutura, preciso informar:
Para 95% das pessoas, a resposta é um sonoro NÃO.
Trocar o modem da operadora não aumenta a velocidade do plano. Se você contrata 500 Mega, vai continuar recebendo 500 Mega. Trata-se exclusivamente de pureza de camada de rede e autonomia.
NÃO faça se:
- Você tem uso doméstico comum: Navegar, redes sociais, Netflix e streaming 4K. O modem padrão da operadora já supre isso tranquilamente.
- Você depende do suporte oficial da operadora: Ao desconectar o modem oficial, o suporte remoto não enxerga seu circuito.
Se romper uma fibra na rua, o atendente vai dizer que seu modem está desligado. E se um técnico for à sua casa e encontrar uma ONU de terceiros, ele pode se recusar a mexer e gerar taxa de visita. - Você tem telefone fixo (VoIP) ou TV por assinatura com decoder: Esses serviços dependem de portas RJ11 e VLANs proprietárias que quebram ao remover o aparelho oficial.
- Você não domina redes: Lidar com Telnet, MIBs, OMCI, conversão ASCII-HEX e VLANs exige paciência e estudo. Se der errado, você pode ficar dias offline.
A alternativa sensata:
Se o modem da sua operadora permite colocar em Modo Bridge nativamente, faça isso! Você liga seu roteador bom na porta LAN 1 dele, desativa o Wi-Fi da operadora e resolve 90% dos problemas de NAT e Wi-Fi sem correr nenhum risco de incompatibilidade com a central GPON.
Apenas FAÇA SE:
- Você tem Homelab / Firewall dedicado: Usa OPNsense, pfSense, Mikrotik ou OpenWrt e não tolera Double NAT, CGNAT maluco ou firewalls de operadora inspecionando seu tráfego.
- O modem original tem firmware travado: Como no meu caso com o Sagemcom da TIM, onde a operadora desativou o modo bridge e ignorou reclamações na Anatel e Consumidor.gov.
- Você é responsável e cuidadoso: Entende os comandos, faz backup e guarda o modem original na gaveta com todos os cabos intactos para o dia em que precisar de um técnico da operadora.
Conclusão e agradecimentos
Substituir o modem da TIM pela V.SOL V2802RH foi uma verdadeira libertação para a minha rede doméstica. Ganhei estabilidade inabalável, zero ruído térmico e o controle absoluto do que entra e sai da minha conexão.
Um agradecimento especial à comunidade que mantém o conhecimento aberto: à equipe do TripleOxygen por disponibilizar as firmwares da V.SOL e tutoriais de forma totalmente gratuita, ao autor Vinicius Paes pelo excelente tutorial de referência para a V2802RH, e à galera do projeto Desbloqueio Huawei no Adrenaline/Telegram por inspirar que é possível sim ter controle do nosso próprio hardware.
Antigamente, a galera usava o apito do cereal Cap'n Crunch soprando 2600 Hz no telefone para enganar a central da AT&T e ter o privilegio de ligar para onde quiser na faixa, rs.
Hoje, meu apito de plástico atende pelo nome de V.SOL, não precisa de apitos e não faz barulho nenhum, não vem com cereal, mas deixa a central da TIM tão docilmente convencida quanto uma linha telefônica de 1971.
