Windows, o mito do sistema ruim: Por que o Windows é tão pesado e onde a Microsoft da nova geração está errando feio.

Descubra o verdadeiro motivo da "lentidão" do Windows, o legado inquebrável do MS-DOS e por que a atual geração da Microsoft está arruinando tudo com o bloatware.

Windows, o mito do sistema ruim: Por que o Windows é tão pesado e onde a Microsoft da nova geração está errando feio.
Photo by Drazen Nesic / Unsplash

"O que não te mata, te deixa mais forte." – Nietzsche.

Será que essa frase se aplica a sistemas operacionais? Até mesmo ao Windows?

Vamos imaginar que o Windows seja aquela pessoa, que anda por aí com uma pasta de documentos cheia de disquetes, um walkman e um celular Nokia tijolão pendurado na cintura, tentando convencer a todos de que é "moderno" mesmo em 2026.

(Confesso que tenho uma apreciação enorme pelo Walkman e iPods, aceito doações).

Muitas vezes, nós da área de infraestrutura, ou até mesmo os usuários comuns, batemos na seguinte questão: "Por que o Windows é pesado e lento?"

Especialmente quando o comparamos com distribuições Linux focadas em performance ou com o Mac da Apple, onde tudo parece mais leve, mesmo em hardwares mais antigos.

Será que a culpa é só da Microsoft? (para os mais íntimos, Microslop)

Ok, eu já apontei diversas vezes o dedo para o vilão Microsoft e para o grande Windows, mas a verdade por trás do "peso" do Windows é uma história de engenharia absurda, escolhas de mercado e um fracasso monumental que mudou o mundo do hardware.

A tediosa tela preta e o nascimento da "Interface Manager" ou simplesmente: Windows.

Eu, no auge dos meus 34 (quase 35) anos, iniciei na era dos computadores aos 3 anos de idade.

Lembro perfeitamente da minha mãe segurando a minha mãozinha sobre o mouse para abrir o Paintbrush no Windows 3.0.

Eu ficava ali, fazendo desenhos tortos ou simplesmente maravilhado minimizando e maximizando janelas.

Sem internet, sem softwares pesados, apenas um gabinete tedioso bege e barulhento, com um processador 486, com disquetes de 5¼ polegadas e um monitor monocromático.

Mas, para uma criança curiosa, aquilo era pura magia. Mesmo em preto e branco, cada clique ganhava cores na minha imaginação.

Para quem não é dessa época, a realidade era um pouco mais dura: o Windows, na verdade, não era um sistema operacional. Ele era apenas uma "interface", uma interface gráfica bonitinha rodando por cima do tedioso MS-DOS.

Sabe quando você abre o famoso "CMD" hoje em dia? O DOS era literalmente aquilo.

Iniciando o MS-DOS...

Ter uma placa de som ou uma placa "aceleradora gráfica" (sim, era assim que chamávamos as placas de vídeo, lol) era um artigo de luxo extremo.

E se você está se perguntando: "Mas e o Botão Iniciar?"...

Então, meu caro amigo(a), como posso te explicar que a interface do Windows 3.x acabou inspirando a catástrofe do Windows 8 (que forçou a Microsoft a voltar atrás chorando)?

O que era essa interface sem botão iniciar e uma mistura de Windows Phone com Desktop? Contra partida, amava o Windows 8.1.

O verdadeiro ponto de virada, a revolução que mudou o mundo, foi o Windows 95.

A Microsoft criou uma legião de fãs em um nível absurdo. Pessoas dormindo nas ruas, brigas em filas de lojas e festas de lançamento.

Tudo isso embalado ao som icônico de "Start Me Up" dos Rolling Stones, apresentando ao mundo a nova GUI que definiu o padrão da indústria até hoje: a barra de tarefas e o clássico botão iniciar.

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Mas o que o MS-DOS, Windows 3.X e Windows 95 tem a ver com o seu moderno computador com Windows 11 e processador Ryzen 9? Simplesmente tudo!

O fantasma da retrocompatibilidade e maldição do MS-DOS


Diferente do macOS da Apple (que chuta o balde, muda a arquitetura e diz: "Se vira, desenvolvedor!"), a Microsoft fez um pacto de compatibilidade com as empresas corporativas na década de 90.

O pilar mais fraco do Windows sempre foi a retrocompatibilidade.

Acredite se quiser, mas debaixo de toda aquela interface, com transparência e cantos arredondados do Windows 11, ainda existem vestígios e APIs que remontam à era do MS-DOS e do Windows 95.

Faça o teste você mesmo, e veja ícones do Windows 3.X no caminho: C:\Windows\System32\moricons.dll
Ou ícones do MS-DOS. E aquela maçã mordida ali, lembra algo? C:\Windows\System32\imageres.dll

Se você pegar aquele seu CD-ROM do Show do Milhão, mil jogos da Digerati ou até mesmo o executável de um software de contabilidade feito em Delphi no Windows 98, existe uma chance gigantesca dele rodar no seu Windows 11 atual com apenas um clique direito e selecionando "Modo de Compatibilidade".

Essa é uma obra de engenharia de software absurda.

Manter o código legado vivo por mais de 25 anos significa que a Microsoft precisa carregar montanhas de bibliotecas, DLLs antigas e "hacks" específicos de sistema operacional para que um programa escrito no século passado não quebre a máquina atual.

O custo disso é um sistema operacional inchado, pesado, e até mesmo com falhas antigas.

O maior desastre e o maior acerto da Microsoft


Citei acima sobre carregar coisas legadas e arrastar falhas antigas... Não poderia deixar de fora a teimosia dos programadores da Microsoft e pressa por parte de investidores, no qual resultou a chegada nos anos 2000 do fatídico Windows ME (Millennium Edition).

Apresento o Windows Me, também conhecido como: Mistrake Edition.

A Microsoft tentou esticar ao limite a arquitetura do MS-DOS no Windows Me para oferecer recursos multimídia modernos e uma inicialização mais rápida, mas ao custo de bloquear o acesso ao modo real do DOS.

O resultado?

O bloqueio quebrou a compatibilidade com inúmeros jogos e utilitários clássicos, enquanto o conflito entre drivers legados e novos recursos, como a primeira e problemática versão da "Restauração do Sistema" que simplesmente não funcionava e gerou um dos sistemas mais instáveis da história da empresa.

A tela azul da morte (BSOD) tornou-se praticamente um evento diário, fazendo com que o retorno em massa para o Windows 98 Segunda Edição (ou a espera pelo Windows XP) fosse o único caminho para ter um computador funcional.

Uma segunda rota de fuga contra o desastre do Windows ME foi o Windows 2000, que reinava no meio corporativo.

Baseado no núcleo robusto do Windows NT, ele era extremamente estável, seguro e eliminava por completo a dependência do MS-DOS.

Contudo, essa migração não era viável para a maioria: além de o licenciamento individual ser proibitivamente caro para o usuário doméstico, o sistema priorizava tarefas de escritório e segurança corporativa, deixando a desejar no suporte a periféricos caseiros e quebrando a compatibilidade com a grande maioria dos jogos da época.

Vale destacar, que na minha opinião, o Windows 2000 foi o melhor sistema operacional da Microsoft que já utilizei, até mesmo que o Windows XP.

A grande cartada mestre (e a verdadeira salvação) foi o Windows XP.

A Microsoft pegou o robusto kernel do Windows 2000 e criou uma interface colorida, moderna e amigável (o famoso tema Luna, com aquele papel de parede eterno dos morros verdes).

O Windows mais famoso com o Wallpaper mais visto no mundo inteiro.

O XP foi um sucesso estrondoso porque marcou a verdadeira "morte" do MS-DOS como motor principal para o usuário comum, trazendo estabilidade de servidor corporativo para o computador de casa.

Era um sistema enxuto, rápido e que rodava em praticamente qualquer máquina simples. Mas adivinha só? O XP ficou tão bom, estável e leve, que o mercado parou no tempo. Ninguém queria trocar de sistema, e os fabricantes pararam de evoluir as peças dos computadores.

O que nos leva ao nosso próximo desastre estratégico...

O Fracasso do Windows Vista


Quem atualizou do Windows XP para o Vista, lembra da dor de cabeça que foi.

Lançado com promessas visuais incríveis, ele era um devorador de memória RAM e processador.

Máquinas que rodavam o Windows XP "liso", choravam para abrir o Menu Iniciar no Vista. Foi um desastre de relações públicas.

Quem migrou direto do Windows XP para o Vista lembra do pesadelo. Lançado com a promessa visual revolucionária da interface aero (que a Apple teve a pachorra de copiar depois de anos e chamar de liquid glass), o sistema virou sinônimo de lentidão e travamentos.

Máquinas que rodavam o XP com folga sofriam para abrir o Menu Iniciar no Vista, um desastre alimentado pelo polêmico selo "Vista Capable", que carimbava computadores básicos e fracos demais para aguentar o novo sistema.

Mas o Vista foi um mal necessário, e grande parte do seu fracasso não foi culpa exclusiva da Microsoft:

  • O colapso dos drivers de terceiros: A Microsoft reestruturou o núcleo do sistema para torná-lo mais seguro, exigindo um novo modelo de drivers (WDDM).

    Acomodadas com a estabilidade de cinco anos do Windows XP, grandes fabricantes atrasaram o desenvolvimento e entregaram drivers terríveis no lançamento. O caso mais emblemático foi o da Nvidia, cujos drivers instáveis foram responsáveis por quase 30% de todas as telas azuis registradas no sistema em 2007.
  • A dolorosa transição para o futuro: O Vista pavimentou a transição real para a computação de 64 bits e impôs barreiras rígidas de segurança com o UAC (Controle de Conta de Usuário).

    O resultado imediato foi uma enxurrada de pop-ups irritantes e programas antigos quebrando por não terem mais passe livre no sistema.

No fim, o Vista não era um sistema ruim, como ficou conhecido e fez todo o "trabalho sujo" de forçar a indústria a modernizar hardwares, drivers e práticas de software.

O aclamado Windows 7, lançado três anos depois com quase a mesma base de código, só pôde ser um sucesso absoluto porque o Vista suportou todo o impacto da transição.

A indústria foi obrigada a fabricar computadores com 2GB ou 4GB de RAM como padrão, o hardware mundial já estava nivelado para aguentá-lo. O Vista tomou a pedrada para que o Windows 7 pudesse ser o melhor.

A era do Bloatware


Se o caminho do peso do Windows é justificável (afinal, empresas bilionárias, bancos, hospitais dependem de sistemas legados que rodam em Windows), o que se vê hoje é uma distorção dessa herança técnica.

Estamos vivendo a era do Bloatware. Do laboratório de testes do Windows 8, onde a Microsoft queria transformar a experiência de usar um PC como tablet a até mesmo à falta de privacidade silenciosa do Windows 10/11.

O espaço e o processamento que antes serviam para sustentar bibliotecas antigas e manter o ecossistema funcionando foram sequestrados por publicidade, parcerias comerciais e aplicativos descartáveis.

A transição desse modelo ocorreu em momentos bem definidos:

Windows 8 e 8.1:

A loja própria do Windows e o entulho de fábrica a até o Windows 7, o conceito de bloatware era quase exclusivo das fabricantes de computadores (Dell, HP, Acer, Lenovo), que entupiam as máquinas de testes de antivírus e barras de ferramentas para baratear custos.

Quem nunca passou raiva tentando desinstalar o McAfee?

Com o Windows 8 e a introdução da interface Metro/Modern, a própria Microsoft entrou no jogo. O sistema passou a vir com um pacote rígido de apps proprietários em tela cheia: Bing Notícias, Bing Finanças, Bing Viagens, Xbox Videos, acompanhados dos infames Live Tiles (blocos dinâmicos) consumindo dados e telemetria em segundo plano, servindo como uma primeira vitrine forçada para monetizar o usuário doméstico.

Windows 10:

O sistema operacional transformado em outdoor publicitário. No Windows 10, a barreira do pudor caiu por completo.

Sob o pretexto de ser "a última versão do Windows" e adotando o modelo de Windows as a Service, a Microsoft passou a tratar a área de trabalho como um espaço de mídia programática.

Mesmo após pagar por uma licença do sistema (ou comprar uma máquina nova), o usuário conectava o PC à internet e assistia ao Menu Iniciar baixar automaticamente títulos patrocinados como Candy Crush Saga, FarmVille, atalhos de compras da Amazon, LinkedIn e aplicativos corporativos não solicitados.

A publicidade deixou de ser uma exclusividade dos computadores baratos de supermercado para se tornar um componente padrão da instalação oficial da Microsoft.

O Windows deixou de ser apenas a fundação neutra onde você instala o que precisa para se tornar uma plataforma que tenta ditar o que você deve consumir, testando a paciência do usuário a cada atualização cumulativa.

Windows 11:

Se no Windows 10 a Microsoft abriu a porta para o bloatware corporativo, no Windows 11 ela simplesmente chutou o balde e criou o maior vilão para a privacidade.

O que antes eram atalhos indesejados no menu virou uma teia profunda de anúncios integrados, rastreamento agressivo e recursos forçados que o usuário não pediu.

  • Anúncios disfarçados de sistema nativo: O Menu Iniciar agora traz a seção "Recomendados", que frequentemente empurra aplicativos patrocinados, sites em alta e atalhos de compra. O Explorador de Arquivos e o painel de Configurações passaram a exibir banners promovendo assinaturas do Microsoft 365 e espaço extra no OneDrive, enquanto notificações do sistema insistem em impedir que você altere o navegador padrão para algo diferente do Microsoft Edge.
  • Telemetria inescapável: A telemetria deixou de ser uma ferramenta de diagnóstico para se tornar um pipeline de coleta de comportamento. Para quem instala as versões domésticas, criar uma conta local sem conexão com a internet e sem vincular uma conta Microsoft tornou-se quase impossível sem recorrer a comandos manuais e brechas de terminal.
  • A imposição forçada da IA (Copilot): O capítulo mais recente dessa escalada é a integração obrigatória do Copilot e do ecossistema de inteligência artificial. Atalhos fixos na barra de tarefas, teclas dedicadas no teclado físico e recursos que registram periodicamente o conteúdo da tela geram debates severos de privacidade e performance.

    Em vez de uma ferramenta modular que o profissional escolhe adotar, a IA foi soldada à base do sistema para alimentar os serviços em nuvem da própria empresa.

A evolução é clara: o Windows deixou de ser uma ferramenta silenciosa e eficiente para se transformar em um canal contínuo de monetização, onde o hardware do usuário trabalha para os interesses comerciais da plataforma.

Apenas por uma questão de curiosidade;

Um servidor Linux Debian recém-instalado consome cerca de 150MB de RAM na inicialização em modo texto. Com o ambiente gráfico do KDE, consome cerca de 800/900 MB, o Windows 11 precisa de no mínimo 4GB para respirar.

Grande parte disso não é mais "compatibilidade com o passado", mas sim processos em segundo plano focados em coleta de dados, anúncios direcionados e serviços de nuvem que você nem quer usar.

Conclusão


O Windows é pesado?

Sim, muito. Mas metade desse peso é uma maravilha da engenharia que garante que o mundo não pare de funcionar quando alguém precisa rodar um sistema de 1998.

A outra metade, infelizmente, é pura ganância corporativa e publicidade enfiada goela abaixo. Da próxima vez que seu Windows demorar para abrir, lembre-se: ele está tentando equilibrar 30 anos de história de TI numa mão, enquanto tenta te vender uma assinatura do Xbox Game Pass ou Copilot na outra.

Como diria o ditado: A única constante é o caos.

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A Microsoft atual, é como se fosse um erro fatal, que precisaria reiniciar para começar tudo novamente, e de fato, bem feito.

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