The Phantom Pain — Awakening from the Phantom Pain.
🌅 O descanso do "Big Boss" e a despedida da Mother Base. Um novo começo, uma nova história.
Ao dizer ao meu "Big Boss" interno para descansar, minha guerra interna finalmente acabou.

Por anos, carreguei traumas como se fossem medalhas de guerra, mantendo uma cabeça barulhenta e um estado de alerta constante. No mundo virtual de Metal Gear Solid V, construímos a Mother Base para proteger um exército; no mundo real, eu construí a minha para blindar minhas dores e ser o "homem forte" que a vida exigia — afinal, como diria o Pablo: "Porque homem não chora...".

Escrever e sair um pouco desse "show de terror" que envolveu dramas familiares e términos não é fugir da realidade; é equilibrar a balança como um bom libriano!
Se focarmos apenas no que dói, criamos uma narrativa onde a vida é só resistência e sobrevivência. Tirar tudo isso de dentro de mim foi como desmantelar uma fortaleza que já não fazia mais sentido.
Finalmente, o quartel-general fechou. O Big Boss, enfim, pode descansar.
Sabe quando tentamos viver a vida inteira sob controle, mas rodando em um hardware antigo e cansado, até que tudo entra em colapso?
Esse era eu, processando sabotagens e fantasmas com uma memória carregada de culpas passadas. Mas daqui em diante, será diferente. De repente, é como aquele vídeo no YouTube em 360p, todo borrado, que muda para 4K. Cores vivas, detalhes nítidos e um áudio sem distorção.
Finalmente saí do modo sobrevivência e "stealth" e entrei no modo de apenas curtir a vida como ela é — um jogo do Kojima que encanta pela beleza dos detalhes, da mesma forma que me apaixonei por Metal Gear na primeira vez.

Hoje eu não fui o Big Boss carregando a dor de um exército perdido. Fui o cara que estava gargalhando no carro com o motorista a caminho do escritório, falando de Dragon Ball, Mr. Satã, Naruto e as cartinhas de Yu-Gi-Oh! que eram consideradas "satânicas" antigamente, por programas de televisão sensacionalistas. Relembramos o humor absurdo do Pânico na TV, apelidos de escola e a nostalgia pura.

Ao chegar no escritório, encontrei aquela vibe gostosa de brincar, colocar apelidos e ouvir histórias. Escutei sobre festas rave e pagode, e me permiti lembrar da minha infância como DJ (Lembra do Orkut? Eu era o DJ Zaffary!).
A Reconstrução da Mother Base
O que aprendi com Hideo Kojima é que, no final das contas, não é sobre armas; é sobre as pontes que você constrói. Hoje eu reconstruí minha Mother Base interna.
Sem mensagens criptografadas ao passado, sem a Phantom Pain (dor fantasma) de quem já partiu e, principalmente, sem labirintos (Pegou a referência, né?). É um novo capítulo.
A alegria agora vem de gestos simples que se tornam incríveis. Da Sany, com seus lanches feitos à mão entregues de surpresa quando cheguei em casa, até as meninas do financeiro contando seus causos de pagode e rave, dando risada das piadas bobas que o "Mr. Bean" conta todos os dias, perguntando a todos o nome do seu neto, ou até dos meus amigos e até mesmo meu irmão dizendo que me ama no WhatsApp.
Quando a gente decide ser leve, o retorno é imediato.
Sempre tentei ser a pessoa no controle. Na real? Eu perdi esse controle. Parei de tentar desvendar segredos ou ser imortal. Deixei o passado onde ele deveria estar e abri a cabeça para a gentileza.

Hoje foi estranho... Nunca reparei nas pessoas como elas realmente são. Descobri que o contraste pode ser muito mais fascinante que o espelho. Notei detalhes, cores de olhos e sorrisos que sempre estiveram ali, mas que meu antigo sistema, nublado, não permitia processar.
Teve alguém hoje que, sem usar armas, me desarmou. Apenas com uma risada sincera e um jeito genuíno, me fez questionar por que eu estava olhando para o vazio quando o mundo ao redor estava em 4K.

🐕 Midge Ure - The Man Who Sold the World
Oh não, não eu!
Eu nunca perdi o controle
Você está cara a cara
Com o homem que vendeu o mundo
Quem sabe? Eu não!
Nós nunca perdemos o controle
Você está cara a cara
Com o homem que vendeu o mundo
Quem sabe? Eu não
Nós nunca perdemos o controle
Você está cara a cara
Com o homem que vendeu o mundo
—V has come to.